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SOP e vontade de doce

SOP e vontade de doce: por que acontece e como controlar melhor

Por Lucimara Chiquett — Nutricionista, pós-graduada em Nutrição na Saúde da Mulher

A Síndrome dos Ovários Policísticos, conhecida como SOP, passou a receber uma nova nomenclatura internacional: PMOS — Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome. Em português, podemos adaptar como SOMP — Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina.

Mesmo assim, o termo SOP ainda é o mais conhecido e pesquisado pelas mulheres. Por isso, ele será usado neste artigo para facilitar a busca e o entendimento.

Uma das queixas mais comuns entre mulheres com SOP/SOMP é a vontade intensa de comer doce, principalmente à tarde, à noite ou depois das refeições.

Na prática clínica, muitas mulheres chegam dizendo: “parece que eu não tenho controle”, “eu como e logo quero doce” ou “consigo me controlar o dia inteiro, mas à noite desconto tudo”.

Isso não deve ser visto como falta de força de vontade.

A vontade de doce pode estar relacionada a vários fatores: resistência à insulina, refeições pobres em proteína, longos períodos sem comer, sono ruim, estresse, ciclo menstrual, restrição alimentar e hábito.

A boa notícia é que existem estratégias simples que podem ajudar no controle, sem precisar cortar todos os carboidratos ou viver em uma dieta extremamente restritiva.

Por que a SOP pode aumentar a vontade de doce?

A SOP/SOMP pode estar associada à resistência à insulina em muitas mulheres.

A insulina é um hormônio importante para ajudar a glicose a entrar nas células. Quando o corpo tem mais dificuldade para responder à insulina, podem ocorrer oscilações de glicose, mais fome e maior desejo por alimentos ricos em açúcar ou carboidratos de rápida absorção.

Na prática clínica, vejo muito esse padrão: a mulher toma café com pão branco ou biscoito, almoça pouco, passa muitas horas sem comer e, no fim da tarde, sente uma vontade quase incontrolável de doce.

Muitas vezes, ela acha que o problema está no doce em si. Mas, quando avaliamos melhor, o dia inteiro foi montado de uma forma que favoreceu mais fome e menos saciedade.

Por isso, antes de pensar em “cortar doce”, é importante entender o que está levando essa vontade a aparecer.

1. Refeições pobres em proteína podem aumentar a fome

A proteína ajuda na saciedade. Quando as refeições têm pouca proteína, é comum a mulher sentir fome pouco tempo depois de comer.

Exemplos de refeições que podem sustentar pouco:

Como melhorar: inclua proteína em mais refeições do dia:

Dica da nutri: muitas mulheres tentam controlar a vontade de doce comendo cada vez menos. Mas, em alguns casos, o que falta não é mais restrição. O que falta é uma refeição mais completa.

2. Carboidratos refinados podem gerar pouca saciedade

Carboidratos não precisam ser proibidos na SOP/SOMP. O problema costuma estar na qualidade, quantidade e combinação.

Quando a refeição é composta principalmente por carboidratos refinados e tem pouca proteína ou fibra, a saciedade pode ser menor.

Exemplos comuns:

Esses alimentos podem até fazer parte da rotina em alguns momentos, mas quando aparecem com frequência e sem uma boa combinação, podem favorecer mais fome e vontade de doce.

Como melhorar:

No atendimento nutricional, costumo explicar que o carboidrato não precisa ser o vilão. O importante é evitar que ele venha sozinho o tempo todo.

3. Ficar muitas horas sem comer pode piorar a vontade de doce

Algumas mulheres passam o dia tentando “segurar a fome” para comer menos. O problema é que isso pode aumentar muito a fome no fim do dia.

Na prática clínica, é comum a mulher dizer que foi “bem” o dia inteiro porque comeu pouco. Mas à noite sente vontade intensa de doce, belisca vários alimentos ou exagera no jantar.

Isso pode acontecer porque o corpo ficou muitas horas com pouca energia e pouca saciedade.

O que fazer no lugar:

Um lanche simples pode ser suficiente:

A ideia não é comer o tempo todo, mas também não viver no extremo da restrição.

4. Sono ruim e estresse também influenciam

A vontade de doce não depende apenas da alimentação. Sono ruim e estresse podem aumentar fome, desejo por alimentos mais palatáveis e dificuldade de manter escolhas equilibradas.

Mulheres com rotina intensa, cansaço mental, ansiedade ou noites mal dormidas podem sentir mais vontade de açúcar, principalmente no fim do dia.

No consultório, vejo muitas mulheres tentando resolver tudo apenas com dieta, mas dormindo pouco e vivendo em estresse constante. Nesses casos, a alimentação ajuda, mas não trabalha sozinha.

O que pode ajudar:

A vontade de doce pode ser um sinal de cansaço, não apenas de fome.

5. Restrição demais pode aumentar compulsão

Muitas mulheres com SOP/SOMP tentam cortar completamente doces, pão, arroz, frutas, leite, glúten e vários alimentos ao mesmo tempo.

No início, isso pode dar sensação de controle. Mas, depois de alguns dias ou semanas, é comum vir uma vontade intensa de comer justamente aquilo que foi proibido.

Esse ciclo pode acontecer assim: restrição → fome ou desejo intenso → exagero → culpa → nova restrição.

Isso não ajuda a construir uma rotina alimentar saudável.

O que fazer no lugar:

Dica da nutri: para muitas mulheres, o melhor controle do doce não vem da proibição. Vem de uma rotina alimentar mais equilibrada, em que o doce deixa de ser uma urgência.

6. A fase do ciclo menstrual pode aumentar a vontade de doce

Em mulheres que menstruam, a fase pré-menstrual pode aumentar fome, irritação, sensibilidade emocional e vontade de doces.

Isso não significa que a mulher “perdeu o controle”. O corpo pode realmente mudar ao longo do ciclo.

Na SOP/SOMP, algumas mulheres têm ciclos irregulares, mas ainda podem perceber períodos de maior fome, inchaço, alteração de humor ou desejo por alimentos doces.

Como lidar melhor:

Exemplos de doces mais equilibrados:

O objetivo não é transformar tudo em “fit”, mas ter alternativas para momentos em que a vontade aparece com mais força.

7. Como controlar melhor a vontade de doce na SOP

Aqui estão estratégias simples para começar:

Na minha experiência clínica, muitas mulheres melhoram a vontade de doce quando param de focar apenas em “não posso comer doce” e começam a olhar para a rotina inteira.

O doce muitas vezes é só o final da história. Antes dele, pode ter vindo um dia inteiro de pouca proteína, pouca fibra, estresse, sono ruim e muita restrição.

Exemplo de rotina para reduzir vontade de doce

Um exemplo simples de dia mais equilibrado seria:

Esse é apenas um exemplo. A melhor rotina é aquela que respeita sua fome, seus horários, seu objetivo e sua realidade.

Minha orientação como nutricionista

Se você tem SOP/SOMP e sente muita vontade de doce, não comece se culpando.

Comece investigando:

Na prática clínica, vejo que a vontade de doce melhora quando a mulher entende seu padrão e começa a fazer ajustes possíveis, em vez de tentar seguir uma dieta perfeita.

Conclusão

A vontade de doce na SOP/SOMP pode estar relacionada à resistência à insulina, refeições pobres em proteína e fibras, sono ruim, estresse, ciclo menstrual e dietas muito restritivas.

Isso não significa que você precisa cortar todos os doces ou viver sem carboidratos.

O melhor caminho costuma ser montar refeições mais completas, reduzir açúcar em excesso, melhorar a qualidade dos carboidratos e construir uma rotina alimentar mais constante.

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Leia também: Alimentação para SOP: o que comer (e evitar) para controlar os sintomas.

Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta individualizada com nutricionista ou médico.

Referências bibliográficas

Teede HJ, et al. Polyendocrine metabolic ovarian syndrome, the new name for polycystic ovary syndrome: a multistep global consensus process. The Lancet. 2026.
Teede HJ, et al. Recommendations From the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. 2023.
Stefanaki K, et al. Food Cravings and Obesity in Women with Polycystic Ovary Syndrome. Nutrients. 2024.
Johnson C, et al. The Role of Diet, Glycaemic Index and Glucose Control in Polycystic Ovary Syndrome Management and Mechanisms of Progression. Current Nutrition Reports. 2025.
Kazemi M, et al. Effects of Dietary Glycemic Index and Glycemic Load on Cardiometabolic and Reproductive Profiles in Women with Polycystic Ovary Syndrome: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. Advances in Nutrition. 2021.
Brasil. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2ª edição. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
NEPA/UNICAMP. Tabela Brasileira de Composição de Alimentos — TACO. 4ª edição. Campinas: UNICAMP, 2011.

Conteúdo elaborado por: Nutricionista Lucimara Chiquett, pós-graduada em Nutrição na Saúde da Mulher.

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